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COMENTANDO A FESTA (parte 1)

A festa correu solta na última-segunda feira. Na verdade, ela começou ainda no domingo e se estendeu pela terça-feira. Muita gente veio comemorar, encontrar amigos, conhecer novas pessoas e comer um pedaço de bolo. Diga-se de passagem, delicioso bolo de mil recheios, cremes delicados e cerejas em calda decorando-o. Farto e saboroso, cada um pode servir-se de quantos pedaços quisesse, além das borbulhantes taças de champanhe que batiam tim-tim a todo momento. Ao fundo, música de primeira, com predominância do tema principal, que era Fascinação. E o povo se abraçava, jogava muita conversa fora, todos sorridentes e felizes. A Loba, em seu ousado vestido carmim a todos encantou com seu charme e simpatia, recebendo cada um e fazendo as apresentações. Excelente anfitriã, se mostrou! Foi dela a decoração da festa, a escolha do som e a difícil tarefa de fazer com que todos se sentissem à vontade. Foi dela também a primeira homenagem. E os convidados começaram a chegar!
Um a um foram dando o prazer do sorriso, do abraço e/ou beijo ao feliz aniversariante, que não cabia em sí de tanta alegria. Alguns, mais tímidos ou reservados, deram seu aperto de mão e deixaram seu sorriso e simpatia. Outros trouxeram flores, alguns, homenagens. E a festa rolou, em clima alegre e descontraído, sem hora para terminar.
A Dira, chegou voando nas asas de uma borboleta azul e foi logo declarando seu amor (totalmente correspondido). Trouxe consigo a Madalena, linda, que logo caiu nas graças de todos. A Dora, deixou seu rastro poético, pois precisou sair logo. Mas voltou rápido e participou da alegria geral, semeando um verso aquí, outro alí... A Clarice, com sua alegria e sempre delicadas e poéticas palavras foi uma das que não paravam de brindar. O Ciganinho, com sua leveza e alegria, deixou um rastro de magia e mistério. E se divertiu a valer, dançando muito e brindando com todos. A Lúcia mi, com seu jeito meigo e mil ocupações, chegou espalhando sorrisos. Quando a ana., menina-poeta apareceu, a emoção foi geral, pois ela foi logo avisando que havia uma homenagem e homenagem dela só podem ser versos dos bons. Ruidosa e alegre foi a entrada esfuziante da Márcia(clarinha), sempre brincando com todos e, com seu grito de "Uebaaaaaaaaa!!!" e o estouro de umas quatro ou cinco rolhas de champanhe, aumentou a alegria reinante. A Elza do Blog do Beagle bem que tentou chegar de mansinho, mas se traiu ao ver o bolo e deixou a festa rolar, pois a dieta ficaria para o dia seguinte. A simpatia da Sonia Pallone serviu para alegrar ainda mais o dono da festa e logo ficou cercada pelos sorrisos e atenções de quem já estava aquí.
Não comente ainda! Tem continuação logo abaixo...
Zeca07 - 18h10
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COMENTANDO A FESTA (parte 2)
A ju chegou a bordo de seu avião (do qual ninguém tem medo) e, deixando muitos votos, beijos e carinhos, despediu-se rapidamente, não sem antes beber uma taça de champanhe e encantar a todos. Aí entrou a Ceci, leve, delicada e cheia de alegria. Logo estava entrosada e divertindo-se com todos. O DO, com seu abraço grande e prosa deliciosa se enturmou logo e saiu deixando uma Mensagem de Ramsés. A Bruna, de amizade recente, parecia antiga companheira deixando seu doce perfume no ar com suas palavras sempre gentís. Quando chegou o amigo Sobreira, do alto de sua vasta sabedoria cinematográfica (entre todas as demais), a festa quase parou. Todos ouviram com admiração suas palavras e, após o sorriso distribuído, serviram-lhe uma taça de champanhe e alguém levou-o para perto do bolo, onde começaram a perguntar sobre filmes, diretores, histórias. Com a Jeanete Ruraro, dona de versos magníficos, aconteceu parecido. Com a respiração em suspenso, um trouxe bolo, outro champanhe e, logo, a integração estava feita e ela, distribuindo simpatia, sorrisos e poemas. Aí aparece o Bené Chaves, jeito bonachão, fala mansa, dono de uma cultura inquestionável e apanhador de sonhos dos melhores. Mal teve tempo de oferecer seus votos e simpatia ao aniversariante, logo foi levado pelo redemoinho de admiradores, a todos encantando com seus sonhos, suas histórias sobre Gupiara e tantas outras. Quando o Ivo entrou, (aquele do "O Pluto é filho da Pluta") - também conhecido como 111x6, o coração já explodindo de tanta alegria, quase transbordou com suas palavras doces e amigas. O carisma do ALF, o ExTaSiAdO deixou todo mundo emocionado com sua alma solidária e suas palavras incentivadoras. Rapidamente foi rodeado, servido e levado para o meio da festa onde divertiu-se a valer. Depois de um rápido descanso de tantas emoções, aparece no meio de uma nuvem de fumaça o Alex, garoto-poeta, sobrinho querido, contando segredos e derrubando poesias. Mas quando viu o bolo... hmmmm!!! partiu pra cima dele, com tempo apenas de comentar que também preparara uma homenagem na sua casa. E cadê o menino? Divertindo-se com as meninas e com todos, de tão querido que é. A Cherry, doce amiga, sempre ocupadíssima, deu uma rápida mas inesquecível passada por aquí, estalando um delicioso beijo na minha bochecha. Disse umas palavras carinhosas, abraçou amigos, distribuiu graça e alegria entre todos, brindou e se foi... O sol já brilhava lá fora quando a Márcia(clarinha) voltou, renovando o ar de felicidade que reinava no ambiente. Em seguida chega novamente a Bruna, só pra lembrar que, fora ela, com seus dourados cabelos, na sua casa todos são arianos. Mas ambas aproveitaram e ficaram mais um pouco na festa. A chegada do Rubo Jünger Medina deixou um "clima" no ar... é que, para muitos, somos "rivais" no amor à Loba. Mas logo todos relaxaram, pois perceberam pela prosa fácil e leve, que não existe rivalidade, apenas afinidade e amizade. A eficiente anfitriã logo o entrosou com o povo e, entre taças de champanhe e fatias de bolo lá ficaram, todos, papeando, rindo, se divertindo. Ah, mas a chegada da doce Mily, lembrando a fase em que eu escrevia sobre "anjos, gatos e fadas brincando com príncipes, princesas e guerreiros", me deixou os olhos líquidos e a voz embargada. Desembaraçada, percorreu vários cômodos da casa, brindou com todos e deliciou-se com o bolo. Quando se foi, deixou no ar o perfume das estrelas ao som da saudade. A apaixonada Hebe, que distribui fatias de amor diariamente, o fez também durante a festa, enquanto saboreava o bolo e fazia tim-tim com todos. Suas palavras, sempre carinhosas, calaram fundo e emocionaram bastante. O Anderson chegou comemorando com um sonoro "é big, é big..." e acabou envolvido no turbilhão da festa, brincando com todos e deliciando ouvidos com suas palavras poéticas. Já a Clarice, sempre às voltas com seus poemas e ilustrações, voltou para dar uma lidinha na segunda parte da minha experiência com teatro. Mas como a festa continuava, aproveitou para divertir-se mais um pouquinho com o pessoal. A chegada inesperada da sempre bem-vinda ariana Giulia, trouxe aquele ar de novidade, e de delicadeza, com suas palavras gostosas e gentís. Claro que adorei os carinhos e beijos! E ela se divertiu a valer. A Saramar, que está abrindo as suas janelas, trouxe o frescor de chuva suave e espalhou carinhos e sonhos, contagiando a todos com sua gentileza e seu olhar meigo. Percebí que ela gostou bastante da festa. Até o ilustre Batista Filho, cheio de afazeres e dono da Ilha dos Mutuns, onde uma prosa rica enleva os leitores, deu uma rápida passadinha para desejar "Parabéns". A mana Anne Marie chegou quase sem fôlego. Ao invés de vir voando nas asas de um pirilampo, preferiu descer correndo a montanha (haja fôlego!) pra dar seu abraço, seu beijo e espalhar seu carinho. Trouxe lindas flores colhidas em seu próprio jardim e adorou a generosa fatia de bolo que havíamos reservado para ela. A Lana entrou de repente, distribuindo gentilezas e carinhos e pedindo seu teco de bolo... rs. Acredito que tenha se divertido bastante com o povo e, na saída, deixou um beijo looooooooongo e gostoso. O Sidnei, safado, chegou denunciando idades ao relembrar o finado J.Silvestre... risos. As mulheres presentes (maioria absoluta!) não gostaram muito, mas logo se encantaram com seu charme e sua conversa agradável. E o assunto "idade" acabou sendo abafado pelas risadas e pelo borbulhar do champanhe. De repente, aparece novamente a querida (e ocupada) Cherry! Veio reclamar seu pedaço de bolo, que de tão apressada, havia esquecido. Ainda bem que tinha. Aí ela aproveitou e brincou mais um pouco com todo mundo e, cheia de graça, se foi novamente. No ar, um doce perfume... A chegada da Amers [marcas] em Cabochard trouxe o aroma do vento dos pampas gaúchos e a alegria e gosto pela vida dos nossos irmãos do sul, fazendo com que me sentisse um guri. Percebí que ela se entrosou imediatamente com a turma e logo foi conquistando novos amigos. E pra não deixar dúvidas no ar, o Rubo Jünger Medina, aquele que todos acreditavam ser meu "rival", voltou só pra me trazer um presente. E aproveitou mais um pouco a festa. E mais uma grata surpresa: O Manoel Caetano Donini, apareceu com suas palavras gostosas e um presente inesperado. Deixou um sabor de surpresa e alegria. É possível que ainda apareçam outras pessoas, outros amigos. E a Liannara? Tão feliz, mas tão feliz, que pensou que a festa era pra comemorar os dois anos do blogue! Risos... Mas é a correria... eu entendo! E o Power! O querido amigo chegou um pouco atrasado, mas ainda em tempo de um brinde e um pedaço de bolo. A festa continua... afinal, o encontro com amigos é sempre uma festa!
Zeca07 - 18h04
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Aos 27 dias do mês de março, às 22:20hs. de um sábado de Aleluia, sob tremenda tempestade, vinha ao mundo mais um pestinha! Daqueles destinados a fazer muitas coisas na vida, nenhuma entretanto destinada a entrar para a história. Deu trabalho, apreensões e alegrias aos pais. Garoto de múltiplos talentos, ainda pequeno adorava rabiscar as paredes da casa onde morava com pedaços de carvão, cacos de tijolo, ou o que quer que encontrasse. Mais tarde, inventava desenhos em qualquer pedaço de papel disponível, até mesmo documentos, se estes caíssem em suas mãos. Por volta dos cinco anos, de tanto intrometer-se nas leituras do pai, este acabou ensinando-o a ler, o que aprendeu rapidamente, nunca mais parando de ler qualquer coisa, até mesmo bula de remédio e instruções de qualquer tipo, mesmo sem esse tipo de talento (montar coisas a partir de instruções escritas). Criava historinhas e ilustrava-as. Qualquer coisa lhe dava motivos para ler e escrever. Aos sete anos, quando entrou no primeiro ano primário, já lia e escrevia quase como gente grande, para espanto de professores e ciúmes dos coleguinhas. Foi sempre um bom aluno, participante e popular. Fez tudo o que a infância e a adolescência lhe pediram e, na fase adulta, construiu uma carreira bastante invejável no mundo das multinacionais. Um dia, cansado da gravata e da vida postiça de executivo, meteu o pé no balde, largou tudo o que havia construído e mandou-se para Paraty, onde iniciou-se no comércio de presentes e artigos para decoração. Cresceu como comerciante em Paraty e abriu uma filial em São Lourenço, onde acabou por estabelecer-se, agora um senhor agrisalhado e acomodado. Resistente a celulares, computadores e outras novidades tecnológicas, acabou vencido pelo computador e apaixonado pela internet. Das salas de bate-papo, onde acabou tendo algumas experiências não muito agradáveis junto com outras mais ou menos, pulou para um site de relacionamentos (Superencontros) onde havia um tal de Superdiário que abraçou com carinho e durante um bom tempo alí escreveu suas histórias, croniquetas, contos, poemas de pés quebrados e o que pintasse. Agastado com a estrutura do site que se intrometia a toda hora sob o pretexto de preservar a imagem (qualquer palavrinha fora do esquemão era considerada imoral), armou a maior confusão com eles e acabou se mandando de lá, jurando nunca mais escrever nada via internet. Alguns anos depois, curioso como sempre, começou a visitar blogs e a enamorar-se deles. Até que, um dia, resolveu criar o seu. Em maio esse blog completará dois anos de existência e, durante esse tempo, aquele arianinho foi conquistando amigos da melhor qualidade, dos quais se orgulha muito.

Pela passagem do seu aniversário, uma dessas amigas, a Loba, resolveu presenteá-lo (ele continua "analfabético" em informática - apenas sabe fazer o trivial) com uma nova (e maravilhosa!) decoração para suas Janelas Abertas. Ele, todo pimpão, feliz da vida e orgulhoso do gesto da amiga, faz questão absoluta que todos saibam que é um presente dela o novo visual. E a música, não poderia deixar de ser aquela que o acompanha durante toda a sua existência. Desde que pode recordar-se, sempre foi apaixonado por ela! Então, a Loba resolveu dar-lhe o presente completo: casa nova com música nova.
Obrigado, Loba! Obrigado por tudo; pela sua amizade incondicional, pelo seu carinho descomunal, pela sua atenção sempre presente, pelas suas gentilezas sempre gratuitas, pelo seu ombro sempre amigo. Obrigado por, mestra das letras, dignar-se a oferecer-me parceria, mestra nos poemas, oferecer-me um espaço no livro que está para sair; obrigado pelas alterações que já fez nas Janelas antes da reforma e pelas novas, as atuais. Obrigado, Loba, por existir e permitir-me participar da sua vida. Da minha, você já é parte para a eternidade.
Obrigado, amigos! A todos que me honram com sua presença, sua amizade, sua simpatia, sua participação em minha vida e sua permissão para que eu participe das suas. Pelos comentários, pelos conselhos, pelas lembranças, pelo carinho.
Eu quero a cada um de vocês com o mesmo sentimento com que quero aqueles que posso ver, cheirar, abraçar, beijar. Atrás dessa telinha, em frente a esse teclado, existe uma pessoa real, com sentimentos, qualidades e defeitos, dores, aflições, alegrias, lágrimas e sorrisos, como eu do lado de cá.
Obrigado a todos por alimentarem meu coração e iluminarem minhas Janelas sempre Abertas.
E abaixo, se não for pedir demais, tem a continuação da minha experiência com teatro, parte II...
Zeca07 - 19h34
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CONTINUAÇÃO.
EU E O TEATRO (II)
... Faltei ao ensaio.
No sábado seguinte, com meu olhar ainda inocente de bom menino, simplesmente disse a verdade à professora. Ela, com seu olhar severo e seus gestos sempre nervosos, disse: "se quiser aprender teatro, vai ter que decidir abrir mão de qualquer outra coisa. O teatro é ciumento e não divide seus pupilos com o resto do mundo. Ou o teatro, ou o resto do mundo!"
Preciso dizer? Um ariano, com ascendente em sagitário e lua em escorpião não se entrega tão facilmente. E muito menos a qualquer um. E eu lá sabia quem era esse tal de "teatro"? Que queria exclusividade e dedicação integral? Eu era apenas um adolescente, bonitinho, inteligente e que adorava viver a vida com toda a intensidade. Como poderia me restringir a apenas uma coisa? Eu gostava mesmo era dos amigos, das festas, das namoradas! Aquela coisa enfadonha de ficar horas e horas fazendo exercícios de voz e de postura, de ficar "brincando" de roda, de apertos, de correria dentro de um círculo? Nada! Eu nem mesmo sabia por que estava lá, fazendo aquilo! Sem pestanejar disse-lhe que estava me dirigindo, naquele exato momento, ao "resto do mundo", que era o meu verdadeiro lugar. Virei as costas e saí do anfiteatro do colégio, em meio a um silêncio enorme. Durante a semana fiquei sabendo que outros três ou quatro se levantaram e, sem qualquer palavra, saíram definitivamente do grupo.
Na estréia da peça (muitos meses depois) o Mestre Carpina foi representado pela garota magricela e nariguda que, anos mais tarde estava trabalhando como atriz profissional em teatros de verdade. Já moça feita e, ultrapassadas as transformações da puberdade, conseguiu transformar-se numa linda moça, cujo nariz não mais parecia tão grande e combinava perfeitamente com um bonito rosto num corpo de mulher. Não lembro o nome dela, mas sei que não está no primeiro time das atrizes de teatro e muito menos de televisão. Mas deve continuar pelos palcos.
Ainda durante o período de ginásio, o meu amigo Marcos, que não desistiu de ser ator, mas acabou virando um próspero advogado e feliz pai de cinco filhos, me convidou para assistir "O Milagre de Anne Sullivan", num teatro do Bom Retiro (em SP), cujos ingressos um dos atores da peça lhe havia dado. Esse foi o meu primeiro contato real com o verdadeiro teatro! A sensação quase religiosa de entrar num teatro de verdade trouxe a descoberta de que sua arquitetura era completamente diferente da dos incontáveis cinemas que eu já conhecera. Seus camarotes, balcões e poltronas estofadas; jogos de cortinas que se abriam para os lados enquanto outra subia, revelando a magia do palco. Diferentes planos e decorações mostrando o cenário pronto para exibir a peça, que receberia diferentes jogos de luzes enfatizando determinadas cenas e tramas. Tudo isso foi me pegando por dentro e apertando meu coração, num desejo imenso de poder estar lá, naquele palco, no centro das atenções, no meio da trama alí representada. Assistí à peça como se estivesse sonhando um sonho bom. Enfronhei-me dentro da história, sentia-me, ora um, ora outro personagem. E ao término, após a útlima reverência dos atores para agradecerem os aplausos, eu saí de lá com o coração apertado. Naquele momento, se minha antiga professora quisesse, eu abriria mão de qualquer outra coisa e me dedicaria com afinco à arte teatral.
Uma vez fora dalí, o "resto do mundo" voltou a engolir-me e nunca mais pensei na possibilidade de aprender teatro. Mas nunca mais perdí qualquer oportunidade de mergulhar por algum tempo no meio das tramas representadas pelos palcos.
Zeca07 - 20h29
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FALCÃO - os meninos do narcotráfico
Quem assistiu o Fantástico do último domingo, dia 19 de março, no mínimo, estranhou. Sem linguagem rebuscada, nem imagens muito nítidas (os entrevistados apareciam sempre com o rosto enevoado), o documentário produzido pela ONG CUF (Central Única das Favelas) em parceria com a Rede Globo, tendo o cantor de rap MV Bill como repórter, arrasou. Foram cinco ou seis anos de gravações, em várias cidades, onde foram entrevistados dezessete rapazes, dos quais 16 já morreram. Foi um documentário "enxuto", sem lágrimas ou discursos vazios, apenas mostrando a realidade nas favelas, onde os garotos se iniciam cedo no mundo do crime e raramente chegam à fase adulta, pois morrem antes. O título refere-se aos meninos do narcotráfico, que não podem dormir para vigiar as entradas das favelas e não serem pegos num"vacilo".
Fomos apresentados a cenas de violência crua, nua e sem nuances. Sem sangue, apenas com as vozes do entrevistador e dos entrevistados, numa linguagem carregada de gírias e a aparente falta de motivação e de esperança num futuro melhor. Um declara firmemente que quer ser bandido, com a mesma emoção (ou falta de) com com comenta que três outros filhos da sua mãe já foram assassinados. Outro, diz drogar-se para rir bastante, motivo pelo qual nunca fica triste e não tem medo de nada. Um garoto com um fuzil quase maior que ele na mão conta que no mesmo dia da entrevista foi preso mas, em troca de uma quantia oferecida aos policiais, acabou solto. Diz ainda que se o crime acabar, acaba a polícia, que aumenta os ganhos mensais com as propinas que recebem dos criminosos. Falam sobre os códigos e as regras do mundo do crime. Sobre as formas de avisar se a polícia ou alguma quadrilha rival está entrando na favela. Sobre o que fazem com os X-9 (delatores): "nós mata ele, pica e taca fogo."
Numa cena impressionante, que mostra garotos brincando de bandidos (isso mesmo: brincando!), ao mesmo tempo em que eles "matam" friamente um garoto que se faz passar por um X-9, ouve-se alí ao lado, vários tiros. Era um X-9 real que estava sendo assassinado naquele momento. E os meninos sabiam o que estava acontecendo.
As cenas em que uma mãe exibe, com expressão resignada as roupas do filho morto, assim como outra que mostra os empacotadores de drogas são memoráveis. Não pela barbaridade dos fatos, mas pela sensação de realidade passada pela sua exibição.
Os meninos falam sobre a sensação de serem seres excluídos da sociedade, sobre sua falta de perspectivas quanto a estudar e arranjar um trabalho decente. Assim como outro diz que não importa que sua vida possa ser curta, pois se ele morrer, nasce outro, como ele.
Esse documentário foi um soco na boca do estômago. Nós sabemos de tudo isso, mas vivemos como se não soubéssemos. Afinal, isso acontece lá no interior da favela, não aquí, ao lado de casa.
Zeca07 - 19h56
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Existe um blog de um jovem de apenas 23 anos, nascido na cidade de São Carlos, interior de São Paulo, que vale a pena receber uma visita. Sua frase de apresentação é: "A vida é um sonho, mas somente pra quem tem coragem de sonhar, fé no que pode fazer e uma grande amizade com Deus." Pouco a pouco fui me encantando com esse jovem, cujos textos trazem sempre mensagens de esperança e de fé. Seu nome: Giovanne Lucatto , inteligente, bem informado, fala fluente. Vale a pena conferir.
No último dia 17, publicou um texto que reproduzo abaixo;
Vamos Nos Unir
Quando eu comecei a trabalhar no novo template eu busquei falar sobre alguma campanha que pudesse ajudar as pessoas de alguma forma, foi ai então que busquei e achei a ONG Desapareceu que trata com muita competência sobre o desaparecimento de pessoas. Com isso me veio a idéia de pedir a colaboração de todos os blogueiros. Às vezes fazemos algumas correntes e na maioria dessas são brincadeiras, mas agora eu gostaria de pedir em nome de todas as famílias que sofrem por ter alguém querido desaparecido que juntos façamos uma corrente pela divulgação nos blogs dessa ONG que tem ajudado muitas pessoas. É muito simples ajudar, basta adicionar o link no seu blog e ir passando para frente. Eu convido a todos a fazerem isso. Quem sabe você não conhece alguém, ou até mesmo um visitante pode conhecer. Vamos juntos nessa corrente de solidariedade. Muito obrigado a todos que me ajudarem. Eu gostaria também de pedir que cada um fizesse uma postagem dedicada a esse assunto. Eu tenho uma sugestão de postagem, entre na ONG Clique Aqui e escolha uma foto com os dados de alguém que está desaparecido e claro coloque o link ao lado no seu blog. Muito obrigado de coração a todos que colaborarem. Um pouquinho meu e um pouquinho seu pode ser muito para ajudar a quem esteja precisando.
O Garotinho da foto é o Bruno da Silva Piva Data de Nascimento: 30/03/2001 Cidade: Santana da Vargem Estado: MG País: Brasil Visto pela última vez em: 10/06/2004
Para pegar o modelo do link clique aqui Banners e Selos, dai é só escolher o modelo que mais te agrada e adicionar onde quer que ele apareça no seu blog.
Eu tentei pegar o modelo do link, para participar dessa campanha iniciada por ele, mas como bom analfabeto em informática, não conseguí. Se alguem souber me ajudar, ficarei agradecido. Entrei na ONG Desapareceu e passei um bom tempo selecionando fotos, lendo os históricos, com o coração querendo sair pela boca. PRECISO FAZER ALGO!
Sugiro que acessem o blog do Giovanni e julguem por sí próprios a conveniência de ajudá-lo nessa empreitada. Afinal, como ele mesmo diz: "Um pouquinho meu e um pouquinho seu pode ser muito para ajudar a quem esteja precisando."
por favor, não comente ainda... este post continua abaixo.
Zeca07 - 19h58
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Obs.: O garotinho da foto acima é irmão de Felipe da Silva Piva, ambos desaparecidos no mesmo dia, levados pela mãe.
A Garotinha da foto é Eulina Silva Pontes Data de Nascimento: 23/11/1998 Cidade: Toledo Estado: PR País: Brasil Visto pela última vez em: jan/2000
A Garotinha da foto é Dyanna Soares Conceição
Data de Nascimento: 11/02/1994 Cidade: Angra dos Reis Estado: RJ País: Brasil Visto pela última vez em: 19/06/2005
Foi brincar com uma vizinha e não voltou para casa. Moradores do bairro a viram acompanhada de um homem alto, magro, de cabelos cacheados e uma bicicleta branca.
O rapaz da foto é Walter Azzollini Júnior
Data de Nascimento: 27/08/1978 Cidade: Varginha
Estado: MG País: Brasil Visto pela última vez em: 28/05/2004
Saiu de sua cidade para trabalhar em Pouso Alegre onde foi visto pela última vez trajando calça jeans, sapatos marrons e blusa azul claro. Nessa data fez uma ligação para a família dizendo estar tudo bem e que logo chegaria em casa. Entretanto, sua voz preocupou os familiares que ligaram para o seu celular que só dava sinal de desligado. Desde então, nenhum outro contato foi estabelecido.
O rapaz da foto é Rodrigo Macedo Lorenzini (apelido: Nino)
Data de Nascimento: 30/11/1978
Cidade: Florianópolis
Estado: SC
País: Brasil Visto pela última vez em: 15/04/2004
Os familiares não sabem se ele desapareceu por vontade própria, mas precisam obter alguma notícia. No dia do desaparecimento usava calça jeans, camiseta clara e tênis marrom claro.
Zeca07 - 19h57
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EU E O TEATRO (I)
Eu gostava muito de cinema. Não perdia as matinês de domingo e sentia algo mágico quando as luzes se apagavam, as cortinas se abriam, a tela começava a iluminar-se e a mostrar-nos aquelas imagens filmadas em tempos e lugares diferentes dos meus. Os atores a as atrizes desempenhando seus papéis e nos transmitindo seus sentimentos, seus dramas, suas alegrias e, muitas vezes, suas inabilidades e tolices que nos faziam rir com gosto. Havia também os filmes de mocinhos e bandidos (às vezes índios), os meus prediletos naquela época, com as inevitáveis perseguições a cavalo, os tiroteios e, às vezes, as enormes maldades dos bandidos que amarravam as mocinhas em linhas de trem ou em esteiras que transportavam madeira diretamente para enormes máquinas que, certamente destruiriam a donzela. E em meio a sustos e expectativas, nós armávamos enorme gritaria para que o mocinho chegasse a tempo de vencer o bandido e, sempre no último momento, salvar a mocinha com pose e gestos de herói.
Meu contato com o teatro aconteceu por volta dos meus treze anos, já cursando o antigo ginasial. Um dos meus melhores amigos entrou para o grupo de teatro do colégio e, após muita insistência, me convenceu a fazer um teste para participar da troupe. Eu nunca havia ido a um teatro e as pouquíssimas peças que assistira eram as infantís que, na época se limitavam a Branca de Neve, Bela Adormecida e outras similares.
No dia do teste, sem qualquer preparo, estava sentado na platéia quando a professora, no centro do palco, deu uma rápida explicação da peça. Era "Morte e Vida Severina" e ela foi chamando os candidatos e entregando textos. A mim coube uma fala de Mestre Carpina, que eu nem ao menos sabia quem era e o que representava na peça. Terminada a breve explanação e a distribuição das folhas (mal) datilografadas, ela me chamou e, posicionando-me no centro do palco, pediu-me que iniciasse a leitura do texto. Como sou viciado em leitura desde que aprendí a ler, saí-me bem, mas sem qualquer emoção ou entonação. Apenas lí como nas aulas de português, ou história, ou geografia, fazia a leitura de um texto a pedido do professor.
Éramos três candidatos a Mestre Carpina. Um dos três era uma garota, magricela, nariguda e com cabelos mais curtos que os meus. Eu não entendia como uma menina poderia representar um homem. Assim como não me passava pela cabeça ver um homem fazendo um papel feminino. Havia visto, é claro, naqueles cirquinhos mambembes, palhaços vestidos de mulher apenas para fazer suas palhaçadas. Essas e outras sutilezas da arte de representar eu ainda iria aprender e entender com o passar dos anos.
Após uma tarde inteira de leituras, tremedeiras, choros e algumas resistências entre os selecionados, acabei ficando com o papel. Iniciamos os ensaios, sempre aos sábados. Começamos com exercícios que me pareciam tão bobos! Nos reuníamos dentro de um pequeno retângulo riscado a giz no chão do palco e nos espremíamos, devendo agir como se estivéssemos dentro de um ônibus lotado, com alguém, escolhido pela professora, precisando dar o sinal, passar por entre os colegas e descer no próximo ponto, sem que ninguém ultrapassasse as marcas. Às vezes íamos nos aproximando, nos abraçando e nos apertando até que quem estivesse no centro do círculo desse um jeito de sair sem desmanchar aquele abraço coletivo. Havia também as sessões de gritos que saíssem das profundezas de cada um. Ou a entrega individual a determinado som, fazendo com que cada um fosse soltando o corpo no seu próprio tempo e ritmo. Esse era um dos que eu mais gostava.
Os sábados iam passando, os "ensaios" se sucedendo e nada da peça! E eu perdendo vários programas com meus amigos ou com eventuais namoradas. Um dia decidí! Haveria uma grande festa na chácara dos pais de um amigo e eu não a perderia por nada! Faltei ao ensaio.
CONTINUA...
Zeca07 - 20h11
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Desabafo, eternamente!
Olá, amigos!
Sei que letrinhas miúdas dificultam a leitura, mas às vezes, o texto fica um pouco maior que o permitido pelo UOL e, para não descaracterizá-lo, acabo optando por elas. Perdoem-me os que, como eu, sentem certa dificuldade com letras pequenas.
O desabafo perante toda essa sujeirada que borbulha pelos bueiros do poder, serviu pra dividir um pouco da minha impotência com vocês. O povo assalariado e os pequenos empresários acabam sempre pagando a conta, sem enxergar saída, sem obter um vislumbre de esperança. Enquanto isso, governantes, banqueiros e grandes empresários se refestelam com lucros cada vez maiores. Concordo com a Ana que sugere uma ação coletiva, com a ressalva de que a ação necessita de incentivo, o qual só pode ser dado através de palavras. De muitíssimas palavras, em todos os tipos de publicação. De discussões geradas pelos discursos, pelos textos, pelos desabafos. Eu sòzinho não consigo agir contra tudo o que vemos de errado com nossos governantes, mas minhas palavras, acrescidas das de todos vocês, se espalhadas pela internet, podem ter algum poder, alguma penetração. Afinal, é sabido que o nosso povo, com a fama de pacífico e conformado, acaba mesmo tendo memória curta e reelegendo/mantendo péssimos candidatos. Basta ver os Malufs da vida em São Paulo, a família Garotinho no Rio e tantos outros espalhados por esses Brasís afora. Até o Collor, se bobearmos... volta!
A Loba resolveu proclamar que voltou a ser uma alienada política (isso é só um disfarce, viu? Ela continua antenadíssima!), mas fez uma pergunta "que não quer calar: os únicos candidatos capazes de enfrenta-lo serão melhores que ele?" Claro que a resposta é não. Não vejo ninguém que possa ser A Opção; apenas um nome ou outro, capazes de enfrentar o ffenhor preffidente. E lamento que, entre toda a safra atual de pré-candidatos, não se apresente ninguém diferente; apenas os eternos "políticos profissionais", que brigam, arrancam penas, fazem qualquer negócio pelo poder. Nesse caso, não se trata de trocar o mandatário-mor da nação por um melhor, trata-se de tentar impedir que ele e sua quadrilha permaneçam no planalto, zombando do nosso poder de decisão e escolha. Não sei e não ouso arriscar um palpite, dizendo que o Serra, ou o Alckmin seriam melhores do que ele. Mas não posso deixar de dizer que, na minha opinião, os pouquíssimos sucessos neste governo devem-se à sequência de tudo o que foi iniciado no governo anterior, e não a ações pontuais tomadas no atual. Até mesmo a populista e vagabunda "distribuição de renda", foi rebatizada, assim como algumas outras políticas que vêm sendo aplicadas como novas. E o tal do "Fome Zero"? Pura política de palanque, morta e enterrada logo após o início do governo.
Claro que precisamos tentar manter a esperança e alimentar o sonho de que um dia tudo melhorará, não apenas para os ocupantes do poder ou grandes empresários; mas para todo o povo, incondicionalmente. Aquí, não posso deixar de concordar com a Hebe, mas com ou sem copa do mundo, é necessário que nosso descontentamento e aparente desesperança se espalhem como um rastilho de pólvora, para tentar conscientizar a todos, para alertar a muitos, para criar uma corrente (aquí, sim!) de esperança e de sonhos. Eu sempre defendí, como diz a Cherry, que o Lula é utopia! Hoje passo a defender que o próprio PT, ao qual dei um voto de confiança (não votei no Lula), torcendo para que se mostrasse capaz de fazer um governo diferente e eficiente, tenha se transformado numa utopia; principalmente pela voracidade com que iniciou sua caminhada no poder, pelos cargos públicos, de primeiro, segundo, terceiro e sei lá eu quantos escalões mais...
Como diz a Elza, "Hoje, esse país de corruptos nos envergonha." Talvez todos os outros "desabafos", ao qual podemos juntar o meu, se transformem no embrião do partido separatista sugerido por ela. No mínimo, todos esses "desabafos" acabam se transformando em discussões; uns contra, outros a favor, alguns muito pelo contrário... mas o importante é a própria discussão, a conscientização de que temos um dos piores governos da história da república.
O Marcos, uma das vozes mais "bem-humoradamente" radicais, com seu antigo Esculacho e Simpatia (atual Simpatia e Esculacho), estranha minha transformação. É que, à medida em que você percebe o tempo passando, os problemas se avolumando, a maré de lama avançando e o festival de pizzas aumentando, só resta mesmo a indignação, com o consequente vômito de tudo o que nos faz tanto mal. Eu sou apenas um simples e comum cidadão, que gosta de ler e de escrever. Nunca ousei me sentir um "escritor" de nada. Apenas um sujeito atrevido que escreve o que lhe vem à cabeça, seja em forma de prosa, de contos ou, de um ou outro versinho de pé quebrado. E de vez em quando, com o estômago embrulhado e os bolsos expoliados pela sujeirada produzida pela canalha, resolve falar um pouco mais grosso, embasado apenas no que lê nos jornais e revistas e vê pela televisão. Como um homem comum, acho que é o que posso fazer. Espalhar um pouco do meu (mau) humor entre aqueles que me beneficiam com sua atenção. Sou mais ou menos como a Ju, embora ela escreva muitíssimo melhor que eu. Sou impulsivo (nascí sob Áries) e, às vezes, não aguento. Preciso botar a boca no trombone, botar pra fora minhas aflições, indignações, desesperanças.
A Sonia lembrou um fato recente (e relevante): "nosso Lulla dormiu, noites atrás, em lençóis de seda no palácio de Buckingham, fazendo o que ele mais gosta, conviver com os poderosos. Com quer que ele lembre que existe um povo que nem casa tem para morar?" Mesmo os que não gostam de política (geralmente eu sou um deles), como o meu sobrinho Alex, acabam entendendo que não podem "estar completamente em branco", pois é a realidade com a qual e diante da qual vivemos. Logo, para que aprendamos de vez como e em quem votar, acabamos sentindo a necessidade de nos informarmos, de analisarmos e avaliarmos partidos, candidatos, ações e atitudes dos políticos e de toda a canalha que acaba ocupando todos os postos de onde emana um pouquinho que seja de poder.
E o Ton (Moura), deixa seu comentário a respeito da até esquecida (de tão irrelevante) Marina Silva, cujo currículo acabou ferido com os desmandos cometidos sob seu ministério. Ele nos informa que no Acre, o PT tem o monopólio sobre estado e municípios, englobando todo o governo, seus ministérios e toda a eca (merda) que ele conhece bem. Quantos mais, como ele, não terão informações preciosas sobre os desmandos em seus estados, em seus municípios? Não apenas do PT, mas de todos os partidos que costumam alternar-se no poder... |
Zeca07 - 17h31
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DESABAFO
Nesta minha última viagem a Santos, na semana que antecedeu o Carnaval, aproveitei algumas brechinhas de tempo para dar um passeio, ver um filme (O Segredo de Brokeback Mountain) e visitar alguns shopping centers, como o tradicional Parque Balneário e um dos mais modernos, o Praiamar. Ambos com excelente frequência e sempre com um comércio florescente.
Durante minha passagem por ruas e avenidas daquela cidade, algumas coisas já haviam chamado a minha atenção. Lojas, bares e restaurantes fechados em plena temporada! Em anos anteriores, o movimento turístico no litoral sempre foi intenso e lojas, bares e restaurantes viviam lotados. Agora, pouco movimento pelas ruas e praias, assim como diversos estabelecimentos comerciais, alguns dos quais antigos e conhecidos, simplesmente fechados. E nos shoppings mencionados a surpresa não foi menor. Lojas fechadas, com aqueles laminados de fórmica ostentando dizeres como: "breve uma nova loja para seu maior conforto", quando sabemos que isso nem sempre corresponde à verdade. É uma forma "elegante" de não permitir que os menos avisados percebam que aquele espaço está vazio. E na grande maioria das lojas, enormes cartazes de liquidação, promoção, sale (como preferem alguns), indicando taxas de descontos entre 40% e 50%! E pra piorar ainda mais a situação, as lojas vazias, vendedores entediados e os poucos visitantes que circulavam pelos corredores, sem nenhuma sacola de compras nas mãos.
Enquanto isso, o nosso mandatário maior insiste em dizer que não sabe de nada que se passa fora da sala dele no palácio, que nunca soube de maracutaia nenhuma no seu governo, que toda a corrupção (pra não dizer roubalheira mesmo!) não passa de intriga da oposição. Insiste na não existência do mensalão, assim como faz o possível e o impossível para abafar as CPI's em curso e "salvar" deputados e senadores, alguns confessos. Seus ministros andam numa quietude como se nada estivesse acontecendo em seus ministérios, como se nada estivesse abalando as esperanças do povo. A maioria dedica-se quase que em tempo integral à reeleição do chefe e os assuntos que deveriam ser discutidos e resolvidos no âmbito dos ministérios que se explodam! Nosso presidente não vê, não ouve e não sabe nada a respeito dos petistas (senadores, deputados, dirigentes do Ibama) que facilitam o corte ilegal de madeira na amazonia e no Mato Grosso, em troca de dinheiro para candidatos do partido. Não percebe que sua ministra Marina Silva anda sumida dos holofotes e simplesmente não toma nenhuma atitude, numa letargia ministerial sem qualquer explicação plausível, a não ser que a própria esteja com as mãos amarradas, os olhos vendados e os ouvidos tapados.
E tem mais; o excelentíssimo senhor mandatário-mor não só deixou de tomar qualquer providência quando soube que seu filho levou três parcelas de 5 milhões de reais da Telemar, como declarou com aquele cinismo que já está se tornando marca registrada: "Filho de presidente está proibido de fazer negócios?" E se não bastasse isso, ainda tentou aprovar uma lei que beneficiaria a sócia-benfeitora de seu filho e só não o fez devido a um alerta dado por aquele delfim da época da ditadura. E continua posando de pai dos pobres, consertador de buracos nas estradas até agora simplesmente abandonadas pelo governo federal, inaugurador de obras, algumas pela segunda vez, como o Aeroporto Internacional do Recife (se não me engano), num claríssimo trabalho em prol de sua reeleição no final deste ano. Mas diz que ainda não sabe se será candidato!
No ninho peessedebista, os únicos candidatos capazes de enfrentá-lo, se engalfinham em lutas internas pela indicação, mostrando um racha dentro do partido, que os enfraquece e, consequentemente fortalece a campanha (quase) aberta do candidato oficial da posição. Os cardeais do partido estão arrancando cabelos e suando sangue para contê-los e mostrar alguma unidade antes que o estrago causado pela guerra de egos seja incontornável. Os pefelistas querem serrar o sorvete de chuchú e emplacar o candidato a vice presidente na chapa do prefeito de São Paulo, que continua afirmando não ser candidato, mas não perde oportunidade de depenar as pretensões do governador do estado.
Enquanto tudo isso ocorre, praticamente desde o início do atual governo, os miseráveis sentem-se agradecidos pelos magérrimos 65 reais que recebem de bolsa-família, obrigam seus filhos a irem pra escola enquanto continuam no bem-bom sem emprego ou sem procurar por um. Os assalariados que recebem os menores salários sentem-se gratos pelos "expressivos" aumentos "dados" pelo presidente populista e os demais vêm minguando cada vez mais seu poder aquisitivo, com aumentos inversamente proporcionais aos valores que recebem. A inflação acabou! diz o governo. Mas os preços sobem, estranhamos nós. A classe média vê esvaindo-se pelo ralo as conquistas salariais, levando seus padrões de vida para patamares mais baixos, aproximando-os dos menos favorecidos. Os micro e mini empresários sofrem com tudo isso, muitos perdem seus negócios e caem para os degraus dos menos favorecidos. E alguns vendem bens adquiridos com sacrifício para quitar dívidas e conseguir um fôlego-extra para aguentar a situação até tempos melhores que a eterna esperança insiste em acreditar que estão por vir.
O dólar cai, em decorrência de contas nem sempre muito corretas, mas também ajudado pela situação de liquidez internacional, que contribui para elevar as bolsas de valores, com aplicações externas sem risco e com todas as facilidades para serem retiradas ao menor sinal de alarme. Com esse panorama, empresas com ações na bolsa vivem um período de euforia, com seus valores sendo aumentado, e os bancos nunca auferiram lucros tão altos quanto nos últimos anos. Em apenas três anos de governo petista os bancos já lucraram 22,9% mais do que em todos os oito anos de governo peessedebista.
E entre toda essa festa, o povo brasileiro, passada a euforia carnavalesca, começa a se preparar com garra e afinco para a próxima Copa do Mundo na Alemanha! A seleção vai ajudar, traga ou não o heptacampeonato para o país, a "esfriar" um pouco os ânimos ante tantos desmandos, deixando que as ratazanas continuem correndo livres e soltas pelo planalto, pois o mais importante de tudo agora é o enorme prazer de pular da poltrona, ou da cadeira, ou do caixote, erguer os braços para o céu, abrir a boca e arrancar do fundo das entranha o grito de "Goooooooooooooooooollllllllllllllllll".
Estou saindo novamente por alguns dias. Felizmente são negócios familiares e não mais consultas médicas. Até a volta.
Zeca07 - 19h50
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